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super herói tá na moda

CONTARDO CALLIGARIS

Batman, as trevas e a moda

Com os super-heróis, sonhamos que nosso cotidiano insosso é uma identidade secreta

ASSISTI A "BATMAN - O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan. Gostei e me diverti. Pouco tenho a acrescentar à massa do que já foi escrito sobre o filme, salvo uma vaga decepção, como se eu esperasse "mais". Mas mais do quê? Os releases, a imprensa e o título prometiam um super-herói com uma nova profundidade moral. Desta vez, desceríamos no âmago escuro de Batman, aprenderíamos que mesmo o caminho das melhores intenções é ladrilhado de tentações e motivações sombrias. Uma exposição está acontecendo no museu Metropolitan de Nova York (até 1/9), "Super Heroes - Fashion and Fantasy" (super-heróis -moda e fantasia): o tema é a influência do traje dos super-heróis na moda contemporânea. No prefácio do catálogo, o curador observa que os super-heróis nasceram como personagens de romances de dez centavos e de quadrinhos, mas não por isso devem ser subestimados: "Sua aparente trivialidade é justamente o que faz com que, enquanto eles nos divertem, possam levantar questões sérias sobre os valores e sobre os méritos [de cada um]". Concordo. E acrescento que: 1) na verdade, quase todos os filmes recentes de super-herói (Homem-Aranha, Hulk, os X-Men etc.) fogem da oposição primária entre o mal e o bem absolutos; 2) a "complexidade" subjetiva e moral dos super-heróis não é uma novidade cinematográfica; ela já estava nas histórias em quadrinhos. Voltando ao Batman de hoje, de onde nasceu (inclusive em muitos críticos do filme) o sentimento de uma nova "complexidade" moral do herói? É porque Batman deve se conter para não matar seu repugnante adversário? Porque está a fim de largar tudo e viver normalmente com sua amada? Porque ele se pergunta se sua figura de justiceiro misterioso é um bem ou um mal para a cidade? Não sei. Mas sei que, mais de uma vez, durante o filme, pensei: "É só isso?". De fato, no filme, a "complexidade" aparece sobretudo do lado do mal. Deve ser por essa razão, aliás, que (performance de Heath Ledger à parte) o Coringa rouba a cena de Batman. Sebastião (13 anos), ao sair do cinema comigo, não tinha perguntas sobre Batman, mas tinha uma sobre o Coringa: "Como é que ele queima aquele monte de dinheiro?". Ou seja, ele é do mal para o quê, então? Sebastião, em suma, acabou meditando sobre a profundeza do mal, não sobre as trevas escondidas no desejo de fazer o bem. Além disso, o filme nos apresenta um excelente dilema moral. Imagine dois navios parados no meio do mar. Cada navio é recheado de explosivos e carrega 200 pessoas (que não constituem um grupo, não são nem uma torcida nem uma tribo). São 23h, e à meia-noite os dois barcos explodirão, a não ser que, antes disso, um deles vá para o espaço. Detalhe: o detonador que comanda a explosão de cada embarcação está nas mãos dos passageiros do outro barco. Ou seja, em cada barco, os passageiros devem decidir se eles apertam o botão e se salvam matando os outros ou, então, morrem dignamente, sozinhos ou junto com os outros. Melhor viver assassino ou morrer inocente? Pois é, a resposta moralmente mais elevada não consiste em escolher morrer para não matar. Consiste em decidir que, seja qual for a conseqüência, nossa dignidade subjetiva nos impede de participar dessa brincadeira. Confira o que acontece no filme: de novo, a complexidade aparece do lado do mal. Enfim, o prefácio que citei afirma que o super-herói, com sua identidade secreta, encarna nossa vontade de sermos "outros". É a idéia da exposição: "a moda, como o super-herói, (...) oferece possibilidades ilimitadas de dar nova forma ao nosso corpo e, em geral, a nós mesmos". Num desfile de Moschino, um homem de terno, com os óculos de Clark Kent, abre sua camisa mostrando uma camiseta que evoca o traje de Superman. Legal. Mas, agora que somos grandes, se quisermos pensar nos nossos anseios de vida dupla ou tríplice, talvez pudéssemos dispensar os super-heróis e contar a história dos executivos que, no fim de semana, vestidos de Hell's Angels, sobem numa Harley. Ou a das executivas que passam os domingos pulando de pára-quedas. Ou a dos que só toleram o cotidiano à condição de se perder, a cada noite, nos inferninhos da cidade. Ou ainda a dos que sempre sonham em férias que nunca são a "outra" vida desejada. Isso sem contar os que acham que, para ser super-herói, basta encontrar a roupa e os apetrechos certos, fazendo compras em Miami.

***

e a exposição

Batman e Super Homem

Batman, o Cavaleiro das Trevas...

Não pude tirar uma frase genial do filme dessa vez, porque eu parei de perceber que era filme, aí parei de prestar atenção na coisas de sempre, come frases e momentos soulmates.

A ponto de esquecer que o Heath Ledger morreu, ou que ele até existiu.
Só se via o Coringa.

O coringa, e os M&Ms que sentam na porta da sala 6 do kinoplex, que parece um saquinho de M&M com todas as cadeiras estofadas coloridas que nem a sala da disney no villa lobos.


Mas do Retorno do Super Homem, que vem depois da morte, sim, eu tirei uma frase genial.
Pode até adaptar pra piada.
Vou tentar.

O que um super homem falou para o outro?

- então o super homem não morreu mesmo?

- morreu, mas voltou à vida.

ISSO que é resumir as coisas.

é possível alguém se tornar um super herói?

Segundo esse médico, sim.
Porque Batman não tem super poderes e treinou o corpo e a mente à perfeição,
ele é algo como um decatleta.

Bom...
I´m no expert.
Mas pelo pouco que eu tenho lido, e principalmente pela convivência,
não é isso que leva pra ser super herói.

Convenhamos,
você precisa de um motivo mais pessoal,
obscuro,
que exarcebe seu senso de resposabilidade,
sem falar no senso de culpa.

Senão, o que se tem é o Chapolin.

O Chapolin não tem aquela "voz que nunca se cala" na sua cabeça, vinda de traumas passados.
Então, ele pode até ser um super herói, mas ele pode dizer coisas como:
"sim, eu vou..."
Ou pular de medo no colo das pessoas.

E de todos, o tal médico canadense ainda foi pegar o Batman como exemplo!
Quem acha que o Batman faz o que faz tendo o treinamento e o bem estar coletivo em mente?

Ele mal tem o bem estar dele em mente, coitado :(

Ele, e sua frase genial, que resume senão tudo, muita coisa:
"I won´t kill you, but I don´t have to save you"